segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

- you've got the keys to my heart


- É com lágrimas nos olhos e o maior sorriso que consigo dar agora que lhe digo: Meu coração não é seu.
- Eu pensei que fosse.
- Desculpe a grosseria, mas você pensou errado.



E com toda a dor incabível à alma, eu parti. Nós nos víamos todos os dias, conversávamos a quase todo instante, mas mesmo assim eu parti.
Meu amor sempre foi um tanto quanto indestrutível, mas nós somos muito diferentes: eu não gostava - e não gosto - de beijos roubados. Beijo não se rouba, beijo não se pede: beijo acontece. Eu queria dançar, eu queria ver estrelas, eu queria coisas simples. Eu queria a raridade de tudo o que é 'de menos' e você quis demais. Diga-me quais são seus pensamentos sobre a solidão.
Não me procure em outro alguém, eu sei me esconder muito bem. O tempo todo estive fazendo isso e você não me encontrou, tornei-me invisível.
De repente você, com a sua dor, olhou pro lado. E lá estava eu. Com o mesmo sorriso, com o mesmo olhar.




- Você sabe que meu coração é seu. Sempre foi.
- Mas você disse...
- Menti. E só fiz isso pra saber se você lutaria por ele...



Se essa luta aconteceu? Não sei, essa história não é o que parece, não é um final. Eu sentei pacientemente e peguei o violão.
Tic, tac, tic, tac...







You've got me wrapped around your fingers... -♫
http://www.youtube.com/watch?v=AnASBIYbrDQ

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

- e vai rolar a festa...


Você não está ouvindo? Todos os corações fazem um estardalhaço. Alguns gritam, outros batem em paz. Alguns são novinhos, sem cicatrizes. Outros estilhaçam, como cristal.
Tudo é festa, você quer brincar com algum desses corações? Vá, tudo bem. Vou esperar aqui, sentada. Garçom, traga-me uma taça de champagne, por favor!
Quando você me olhou, logo soube que gostei da escolha. Foi um coração praticamente novo, com uma ferida só: seria tão simples curá-la. E você o levou pra casa. Eu sabia que você gostava dele, mas nunca soube dos detalhes. Quanta atenção você deu? Quantos minutos do seu precioso tempo, perdeu? Não me conte, no final saberei.
Algo estava errado. Encontrei aquele coração na rua mais de uma vez e a ferida, além de continuar ali, estava maior. Foi quando descobri que aquele coração não era mais seu. E eu perguntei o que havia acontecido. A resposta foi direta e impensada: nada. Mentira, eu não acredito. Continuei andando, mas com o pensamento longe. Decidi não me importar.
Naquela semana, voltamos na mesma festa e você escolheu outro coração, mas dessa vez não fiquei olhando. A decisão foi toda sua. E o tempo passou...
Foi numa manhã de sexta-feira que te encontrei na rua e um flash de tudo o que aconteceu passou diante dos meus olhos: o coração era meu.
O que aconteceu? Não sei. Até meu coração sabe ir embora, como qualquer outro. E sem pensar nas consequências, ele foi. Não era seu, não era meu. Eu acenei com a cabeça, você sorriu. E nós dois sabíamos o porque.





It's just you attitude, it's tearing me appart and it's ruining everything...
http://www.youtube.com/watch?v=AnASBIYbrDQ

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

- uma arma letal


Tudo o que digo é minha arma letal. Minhas palavras ditas e escritas são como uma espada afiada e, montada em meu cavalo branco, corro na pressa de dizer...
Atravessei caminhos perigosos demais pra chegar até aqui. Agora que estou quase em segurança, não pretendo partir, por isso não converse comigo esperando que eu lhe diga adeus e não se atreva a me mandar embora, você não me conhece. Experimente me olhar nos olhos e dizer algo sobre mim que eu não saiba. Surpreenda-me.
Eu sou mais uma dessas aspirantes a poeta que gosta de um cenário antigo. O cavalo, o pergaminho e a pena. Cartas escritas a mão são mais especiais e demoram pra chegar. Quanto mais longa a espera, maior a surpresa. Não estrague tudo, posso te impressionar? Logo eu que nunca gostei de planejar, me pego no flagra: na verdade o que eu queria mesmo era ver minha espada atravessar seu peito e que não saísse jamais. Mas sua agilidade foi maior, antes mesmo que eu sacasse a espada, você me olhou e me calou primeiro...





You know I'm such a fool for you...

http://www.youtube.com/watch?v=AnASBIYbrDQ

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

- o tamanho do amor


Ama-se pelo o que o amor tem de imensurável. Pela forma em que o sorriso nasce, não pelo motivo. Pelo brilho dos olhos, não pelos olhos claros.
Ama-se pelo o que há de indefinível. O jeito que aquele relógio brilha no pulso dele e o quanto aqueles ponteiros voam quando ele está com você. A maneira que ela mexe nos cabelos quando fica brava e mesmo assim lhe dá um abraço caloroso quando chega em casa.
Ama-se o que não há. As fotos que ela nunca tirou com você, mas que vocês fotografaram com a mente: o momento que durou pra sempre. As surpresas que ele nunca soube fazer direito, mas soube te surpreender todos os dias. Quase a todo instante.
Ama-se com a alma, até mesmo com a única gota de esperança que lhe resta, porque amar é acreditar. Não se ama pela metade. Não se ama por tamanho. Porque amor é pra ser assim, simples e sem medida.




http://www.youtube.com/watch?v=AnASBIYbrDQ





Voltei.

sábado, 27 de novembro de 2010

- um dia no Raul Gil...

- Is this a dream? If it is, please don't wake me from this high...



Será que aquilo era loucura? Eu ouvi alguém chamar meu nome. Respirei fundo e subi no palco. Encarei a platéia e as câmeras me encaravam de volta. Sorri para aqueles rostos felizes, mas meu olhar denunciava toda a tensão que eu sentia.
Quem foi que acendeu as luzes e porque todas elas estão iluminando a mim? Comecei a cantar, é só o que sei. Todas as mãos do auditório seguiam o ritmo da música, e eu? Eu sentia. No espaço entre um verso e outro, vinha um sorriso ou um arrepio. Não pensei na letra, apenas senti o que aquela harmonia me dizia. Meu grito interno tornou-se externo e todo mundo percebeu. Eu não era apenas uma garota com o violão: era uma mulher corajosa dizendo tudo o que tinha a dizer na frente de várias pessoas e das câmeras, correndo um grande risco de ouvir poucas e boas por isso.
Sempre gostei de sentimentos explosivos. E naquela hora eu explodia em alegria. Eu tinha muito a dizer, tudo permaneceu. O que ouvi, permanece. A chuva daquela tarde, os momentos, as risadas e os novos amigos permanecem. Tudo permanece. E o que sou permanece em mim.








O que passou, já foi. Já era. O que não foi, ainda será...




Linger.







Devinitivamente um dos melhores dias da minha vida. Sem mais.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

- ilusão de bolso


Guardei uma ilusão no bolso, para que eu pudesse levar em todos os lugares e assim o fiz. Ela era como se fosse um bichinho de estimação, que eu cuidava e alimentava todos os dias. Assim, ela foi crescendo, crescendo, até ficar maior do que eu, que agora consigo vê-la bem na minha frente, encarando meus olhos e sorrindo pra mim. Retribuo o sorriso, mas meus olhos estão cansados e ela sabe porque.
A Ilusão não é e nem foi uma boa garota. Eu nunca fui tão maltratada assim, sem perceber. Ela pulou no sofá, quebrou os cristais, berrou e me venceu pelo cansaço.
Hoje, quando ela voltar pra casa, a porta estará trancada e eu com os fones no ouvido, para quando a campainha tocar, eu não precise parar tudo o que estou fazendo apenas para atendê-la.
*Doa-se uma ilusão até amanhã. Caso contrário, ela será jogada no lixo.*
Chega! Sem mais ilusões.




Não é definitivo, mas por enquanto, estou fechando o blog. Não sei quando volto, mas deixo a promessa de que voltarei. ;)







It's hard to say it, it's time to say it...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

- Nossos segredos...


Mais do que tudo nesse mundo, eu queria ter pelo menos a coragem de dizer o seu nome. Parece fácil, não? Queria que você soubesse – ou entendesse – o quanto não é. Você é o meu inferno e, incompreensivelmente, eu preciso de você.
Se eu cantar com a minha alma (que grita), será que você escuta? Canto por você e cantarei.
Por mais inacreditável que isso pareça, eu gosto de lhe escrever. Ainda que isso seja apenas uma aventura, ou mais uma das minhas tantas inconseqüências que ninguém nunca vê. Minha inconseqüência não está no que digo: está no que faço sem ninguém perceber. Quando sou descoberta já fui embora, já mudei. Mudarei se você também mudar.
Nossos segredos serão sempre nossos segredos, embora já tenham sido ironicamente desvendados por Djavan, teu olhar não me diz exato quem tu és, Adriana Calcanhotto, nem mil alto-falantes vão poder falar por mim, Nando Reis, que a vida é mesmo coisa muito frágil, uma bobagem, uma irrelevância diante da eternidade do amor de quem se ama, e Fernanda Abreu – toda cidade é paisagem pro nosso amor.
É, hoje eu queria que você estivesse aqui, e o resto do mundo poderia simplesmente desaparecer. Será que você volta? Tudo à minha volta é triste.
Que dia é hoje? Que horas são? Meu Deus! Pare. Já é tarde demais, tenho a vida toda pra cantar pra você. Será que você ouve? Mas eu lhe digo agora que tu vais, se é amor, amor verás e de um amor viverás.







Mas se quer saber se eu quero outra vida...